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Stenio Torres Cave


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Crônica, "o assalto."
03/04/2016 às 20:14

Quando a empregada entrou no elevador, o garoto entrou atrás. Devia ter uns dezesseis, dezessete anos. Negro. Desceram no mesmo andar. A empregada com o coração batendo. O corredor estava escuro e a empregada sentiu que o garoto a seguia. Botou a chave na fechadura da porta de serviço, já em pânico. Com a porta aberta, virou-se de repente e gritou para o garoto: - Não me bate! - Senhora? - faça o que quiser, mas não me bate. - Não, senhora, eu... A dona da casa veio ver o que estava havendo. Viu o garoto na porta e o rosto apavorado da empregada e recuou, até pressionar as costas contra a geladeira: - Você está armado? - Eu? não. A empregada, que ainda não largara o pacote de compras, aconselhou a patroa, sem tirar os olhos do garoto: - É melhor não fazer nada madame, é melhor não gritar. - Eu não vou fazer nada, juro. Disse a patroa quase aos prantos. Você pode entrar, pode fazer o que quiser. Não precisa usar violência. O garoto olhou de uma mulher para outra. Apalermado. Perguntou: - Aqui é o 712? - O que você quiser. Entre. Ninguém vai reagir. O garoto hesitou, depois deu um passo para dentro da cozinha. A empregada e a patroa recuaram ainda mais. A patroa esgueirou-se pela parede até chegar à porta que dava para a saleta de almoço. Disse: - Eu não tenho dinheiro. Mas o meu marido deve ter. Ele está em casa. Vou chama-lo. Ele lhe dará tudo. O garoto também estava com os olhos arregalados. perguntou de novo: - Este é o 712? Me disseram para pegar umas garrafas no 712. Luiz Fernando Verissimo.

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